sexta-feira, 28 de março de 2008

Não poeta

Não sou poeta
Sou apenas um poema
De palavras desconexas
Letras tortas e embaralhadas
Infinitas vírgulas
Sinuosos pontos

Poema rasgado do livro
O inútil e amarelado
Papel dobrado sobre a mesa
De tão estranha escrita, linguagem aflita
Tornou- se a chama de acender o charuto
Do verdadeiro poeta

Através do fogo era ainda possível
Observar os últimos
Esquisitos garranchos de mim
Um poema antigo
Sem autoria
Nem data no canto da página

Não era poeta
Apenas um poema maldito
Infinito
Pois se bem me lembro,
Depois da última palavra
Havia reticências

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